De onde a gente é
oi oi, como vão as coisas?
ai ai, né? o ano tá galopando por aí também? ô loco, hein, que isso, meu? (ler com voz do Faustão)
de janeiro pra cá já foram uns 14 meses.
bom, nesse ano de 2067 — que na real é 2025 — eu ando querendo atravessar mais e depois pensar sobre a chegada (leia-se pegar mais leve comigo).
e nessa vibe, venho contar que a Folga tá passando por uns ajustes de temperatura. sim tô parecendo a Hbo que toda hora muda, vira max, vira hbo go, vira hbo max , mas enfim, vocês me conhecem né? Sou eu: Hel Mother, Hel, Helen Ramos, Calcinha larga, Radiohel, Radio Hel Mother e: folga.
a partir de agora, a folga chega mais tranquila. mais leve (ou não — sou de áries, leveza aqui é idealização muitas vezes). talvez mais curtinha.
menos performance, mais enter.
uma leitura rapidinha, quando o dia começa entre uma reunião desnecessária e outra, no café pós-almoço, num momento seu. de pausa. de folga.
a casa segue aberta, então se você quiser participar, escrever uma carta, um pedido de conselho, uma lembrança, um desabafo, uma dúvida é só mandar.
a Paula responde com prazer (ou angústia, que também tem seu valor).
e se preferir, pode assinar com seu nome verdadeiro, ou com aquele apelido da sexta série. aqui, cabe.
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nessa edição, escrevo de uma São Paulo ultraurbana, morando ao lado dereforma e obra do metrô, mas acordei com muita saudade do cheiro e da sensação que é ser brasiliense. então compartilho com vocês um formato diferente do que já viram antes aqui.
porque de onde a gente vem diz muito sobre quem a gente é.
Dança seca.
Caminhar no cerrado seco tem seu valor.
a cada pisada, uma sonoplastia. seria como pisar em cereais crispy? seria como pisar em celofane picado?
falar “cerrado seco” é hiperbólico se tratando de julho a setembro.
a cidade fica toda amarelada. os ipês estridentes — em amarelo, branco e rosa — aparecem para dizer: calma, faz parte do todo, já já chove.
o “já já” é mentira, porque costumam ser 100 dias pra frente.
e você caminha, o nariz arde, como se aquela terra do chão subisse via seus pés, e secasse tudo dentro, até querer sair pelas vias aéreas.
e não é à toa que isso acontece mesmo: você leva as mãos ao nariz, e tac — estala.
o sangue aparece, junto com a terra seca, tudo uma coisa só. nesse momento é como se você ganhasse um passaporte de brasiliense.
soro fisiológico não pode faltar na bolsa.
força pra fora, e a seca com sangue saindo do seu nariz:
o que, pra uns, seria algo estranho, pra outros é só uma tarde ardida de Brasília.
a pele fica boa, o cabelo dá nó, o olho ganha fundo vermelho — e nem é de dar um ___.
juro que eu não fumei, é a seca.
— aaaah, sei.
tudo, tudo numa dança da seca do cerrado.
parece uma obra-prima da Pina Bausch, sabe? a mais premiada.
os galhos se contorcem, os animais se disfarçam, todos ficamos das mesmas cores.
marrom, cor de fuligem, cor de fumaça, cor de fogo, cor de pedra de cachoeira… cor do céu de inverno na esplanada.
se der: corre para Alto Paraíso, para Couros — dia mais bonito não vai ter acontecido enquanto você não chegar.
ui, essa trilha então: bolinhas espinhentas, flores que ganham até uma pausa no tempo.
se um dia eu me casar, eu vou casar no cerrado, eu falei, olhando para aquele trajeto de flores lindas e pontudas, com suas hastes parecendo agulhas verdes, contrastando com o céu mais azul que você imaginou.
eu não penso mais na festa de casamento mas penso nessa queda d’agua e falo apaixonadamente pra quem nunca foi.
caí na água, esfrega a poeira da perna, sente o gelo. frio, saí e deita na pedra quente. eita, seca em um minuto. é que tá seco, né?
carai, véi. tá muito.





Ameeeiii! Também moro em São Paulo e sou de Goiânia… essa folga me despertou tantas lembranças.
Nossa, que saudade me deu de passar um inverno em Brasília, e correr pra Alto Paraíso no fim de semana. Tinha um tempo da minha vida passada, de sindicalista, que passava a campanha salarial inteira por lá... amava!